CENTRO ESPIRITA DE ALAGOINHAS: RUA LUIZ VIANA 431 ALAGOINHAS

Lar Espírita Mãe Helena

O Lar Espírita Mãe Helena é uma Instituição Civil, Filantrópica  de Assistencia Social e Religiosa,fundada pela senhora Helena Vieira Costa, em 08 de Maio de 1945,com sede própria na cidade de Alagoinhas-Ba,à rua luiz Viana N° 431.

 

 

Diretoria Atual

 

Presidente:JUSSARA PONTES ALVES

Vice-Presidente:GILVANEIDE MARIA DE ARAUJO

Tesoureiro:ANDRÉ LUIZ BORGES SEVERO

Segundo-Tesoureiro:MARIA CLAUDINICE DOS SANTOS SILVA

Secretários:ARLINDA MARIA BORGES SEVERO

Segundo secretário: ANTONIO SERVILLO DOS SANTOS

Arquivista:LUZIA CARDOSO

Fiscais:IRANILDES COSTA, CLEIDE SANTANA E PAULO BARROS.

 

 Histórico do Lar Espírita Mãe Helena

Nesta casa, um nome: Helena Costa que,desde 1931, aos treze anos de idade, tendo concluído o curso primário, dedicara-se ao convívio com crianças.

Em 1935 fundou uma escola que recebeu o nome “Colégio Senador Manuel Vila-Boim”, à rua Conselheiro Dantas n° 48, hoje praça Kennedy, nesta cidade de Alagoinhas-Bahia, o qual foi reconhecido pela Liga Bahiana contra o Analfabetismom após alguns anos.

Quando o referido Colégio já contava com uma frequência de 80 a 90 alunos, Bernardete de Araujo e Alice Maria Silva, empenhadas na tarefa de educar crianças, uniram-se a Helena Vieira no sentido de ajudá-la. Aí trabalharam durante doze anos. Foi uma relevante cooperação.

Em Janeiro de 1938 tomou conhecimento de que em Alagoinhas Velha residia desventurada mulher tentando provocar aborto. Contagiada pelos comentários e envolvida de amor aos pequenos, Helena com Germínia de Andrade Batista, foram à procura da referida senhora para certificar-se do fato “In loco”, encontrando-a constataram de que a inditosa mulher já havia perdido, provocadamente, seis filhos e não aceitava o nascimento do próximo, dizendo não ter condições para cria-la. Foi difício a tarefa de persuasão. Comprometeram-se, previamente, adotar a criança assumindo total responsabiidade sobre a mesma. Assim, elas conseguiram convencê-la, salvando a vida da pequena que nascera no dia 3 de Junho de 1938, sendo-lhe entregue vinte e quatro horas após o nascimento.

Esta criança que se chamava Heloisa teve a felicidade de possuir duas mães: Helena e Germínia. Passava porém maior parte do tempo com Helena. Conquanto fosse desprovida de beleza física era compensada com boa dosagem de desenvolvimento mental; atraíndo a todos que dela se aproximar com sua meiguice e vivacidade.

Devemos salientar que a genitora de Lóia ( assim era apelidada) nunca compareceu à casa de Helena Vieira, nem demonstrou vontade de conhecer a filha.

Já com quatro anos de idade, Lóia jamais ouvira falar na existência de uma mãe, outrossim não conhecia Alagoinhas Velha.

Em Janeiro de 1943, suas mães Germínia e Helena preparavam-se para passar o dia 1° com sua amiga em Alagoinhas Velha e Lóia desejou acompanhá-las o que lhe negado pois chovia bastante.

Insistentemente Lóia diz:”Quero ver a outra mãe”, frase que surpreendeu sobremodo às duas, pois nunca lhe haviam declarado a existência de outra mãe. Assim, resolveram levá-la pela primeira vez a Alagoinhas Velha que dista dois Km da cidade de Alagoinhas.

Lá chegando, foto iteressante ocorreu: Em dado momento a garota soltou-lhes as mãos correndo em direção a um casebre e bateu exatamente onde residia aquela que lhe dera à luz.

Ao ve-la disse: “só vim olhar sua cala, mãe feia”. Apontando para Helena a infeliz mulher falou: “Não tenho filhos, sua mãe é essa aí”.

Helena e Germínia, impressionadas pelo compartamento da menina, dirigiram-se para a casa onde  iam passar o dia. Ao chegaram, foi-lhes ofereciado um cafezinho do qual a menina também se serviu.

Imediatamente Lóia sai a brincar com outras crianças, voltando momentos depois com uma carambola na mão, já tendo comido mais da metade. Temendo fazer-lhe mal, Helena tomou a fruta de Lóia, volta a brincar. Passaram  a tarde sem anormalidades.

Na madrugada do dia seguinte, a menina teve um ataque de congestão, ficando o corpinho todo rôxo. Foi imediatamente socorrida pela sua mãe Helena e, posteriormente, cahamou-se o médico que a examinou e receitou.

Comprando o medicamento foi-lhe dada a primeira colher, após minutos, a crise repetiu paralisando o funcionamento intestinal e o renal; conquanto tivesse noção das coisas permanecia parada, deixando suas mães bastante preocupadas e tristes. Às vinte e quatro horas deste mesmo dia, com muita segurança e olhando para sua mãe Helena: “Vou dizer uma coisa: não chore. Eu vou embora amanhã. Eu vou embora amanhã. Quero um vestido branco e bem bonito. Você”fazeu” maínha? Sim, minha filha, mas para onde você vai? Inqueriu Helena. “Não sei, sei que vou embora. Não chore que em Maio eu volto”.

E, às oito horas do dia 3 de Janeiro de 1943, ainda na presença do Dr. Israel Pontes Nonato, Dr. Aurélio Falção que , reunidos tentava salvá-la, desejou Lóia se despedir  de mãe Helena que havia saído para comprar rémedio.

Satisfazendo seu último desejo, Sr. Oscar Vitor de Deus, na época  presidente do Centro Espírita Fé e Luz, saiu ao encontro da mãe Helena, fazendo-a voltar.

Ao chegar ainda poude ouvi-la: “Oh! Maínha, pensei que ia embora sem lhe ver. Em Maio eu volto”.Com muita calma toma as mãos da maínha que se encontrava com os olhos molhados de lágrimas acariciando-as. Um pálido sorriso e fechando os olhinhos lentamente, desencarna.

Em Novembro de 1944, vinte meses depois do desencarne de Lóia, eis que surge na feira de local, uma pobre mulher oferecendo uma criança do sexo feminino com seis meses de idade, a qual solicitada por Helena, foi-lhe entregue trazendo no documento de batistério o nome de Maria Augusta, nascida a 8 Maio de 1944.

Acolhendo Maria Augusta, Helena volta a sentir-se mãe e, meses depois, aceita mais três meninas: Josefa das Neves, Maria Célia Novaes e Maria de Lourdes, com quatro, cinco e oito anos respectivamente, aos quais encontraram portas abertas e carinhoso acolhimento.

Assim, Mãe Helena começa contagiar as companheiras, irmãs de fé, conseguindo formar entusiasticamente um grupo beneficiente composto das seguintes pessoas: Germinia de Andrade Batista, Eduarda Silva Novais, Alderina Magalhães e Maria dos Anjos Nogueira.

Posteriormente resolveram fundar a “Casa de Mãe Helena”,o que aconteceu a 8 de Maio de 1945, dia do primeiro aniversário de Maria Augusta, primogênita do Lar, e na semana comemorativa do dia das Mães.

Para Helena Vieira não havia duvidas quanto a volta de Lóia na pessoa de Maria Augusta, ratificando as palavras proferidas quando enferma:”EM MAIO EU VOLTO”.

Contraindo matrimônio em 8 de Dezembro de 1945, com o Sr. Omar Ferreira Costa, Helena Vieira leva consigo as suas crinças continuando na profissão de parteira, tarefa  que deu inicio em 1935, aos 17 anos de idade.

Em 1946, agraciada pela misericórdia divina, Helena recebeu seu primerio filho legitimo: Edson Santana Vieira Costa. Nesta ocasião, por força das circunstâncias, Helena confia as responsabiidades do Colégio Senador Manoel Vila-Boim às companheiras de ideal, afastando-se das atividades escolares. Um ano depois chega o seu segundo filho: Eliomar Vieira Costa e, em 1949 nasce a sua filha caçula que recebeu o nome de Odeara Maria Vieira Costa.

Três meses após o nascimento da menina, o seu esposo insesperadamente afasta-se do lar, causando com isto um profundo sofrimento a Helena que procura, numa luta constante, encher o vazio que ele deixou. Empenha-se mais ativamente no serviço de partos, atendendo a qualquer hora do dia ou da noite às sua parturientes. Mesmo aquelas que não podiam pagar o seu serviço, o que muito comumente acontecia.

Para a parteira Helena apenas interessava o fato de fazer nascer uma criança, dando pouca atenção ao meio ambiente, enfentando constantemente  zonas  de moral não aprovadas, dando sempre a todas que a procuravam a mesma dedicação, os mesmo cuidados.

Era amarga a sua vida tendo que enfrentar sozinha as dificuldades que se lhe apresentavam.

Chegando ao conhecimento do Sr.Aurélio Valente, então inspetor do Banco do Brasil, de que a irmã Helena passava crises econômicas e nem ao menos podia corresponder ao aluguel da casa que ocupava com sua prole, este se comprometeu-se a pagar o aluguel da referiada casa dizendo que podia receber a oferta como se fosse das mãos do seu próprio pai, pois esse dinheiro não lhe queimaria as suas mãos e nem lhe feriria a alma, o que fez durante dois anos por intermédio do Sr. Oscar Vitor de Deus que recebia a importância pagava e lhe remetia  os recibos.

Continua nessa luta até 1956, quando o proprietário da casa lhe solicitou o imóvel. Helena demonstra então desejo e necessidade de adquirir uma casa.

O Proprietário da casa 53 sita à rua sete de setembro, Sr.Maximiniano da Silva Ribeiro,pretendia vende-la. Ao tomar conhecimento Helena partiu para a compra indo ao encontro do referido senhor que lhe disse custar a mesma oitenta e cinco contos. Contando-lhe que apenas possuia reservado para uma real necessidade a quantia de vinte contos, esta foi aceita ,como sinal e principio de pagamento, sendo o restante dividido em parcelas de cinco contos. Na época contou com a ajuda da senhora Alderina Magalhães que lhe emprestou quarenta contos. Mais tarde a referida importânci foi dispensada em beneficio da educação das crianças que já somavam o número de vinte e duas.

A diretoria do Cristanato Espírita Esperantista de Alagoinhas, centro vinculado ao orfanato ou casa Mãe Helena, que também organizou, estudou e aprovou um estatuto que dera a esta entidade uma nova denominação:”LAR ESPÍRITA MÃE HELENA”.

Foi aclamada patrona do Lar  a senhora Alderina Magalhães que hvia desencarnada em março desse mesmo ano, pelo mérito,pela dedicação reconhecidos.

Continua Mãe Helena na missão de proteger e amparar os filhos alheios, orfão inclusive de pais vivos; cada dia que passava mais e mais crianças eram encaminhadas para o Lar.Só eram porem acolhidas as do sexo feminino por ter que sair a sua constante presença temia aceitar crianças dos dois sexos.

Decorrido dez anos da ausência do seu esposo, Mãe Helena recebe dele uma carta comunicando-lhe onde se encontrava e pedindo-lhe para retornar o lar. Só então ela veio a saber que ele residia no Rio de Janeiro e era funcionário da Aerovias Transportes Aéreos da Cruzeiro do Sul. Em resposta ela lhe disse que as portas da sua casa jamais estiveram fechadas para ele, já então seriamente doente, veio a desencarnar repentinamente no local do trabaho, a 1° de Dezembro de 1959, antes da data prevista para o seu retorno que seria pelo Natal.

Tendo o Sr.Adolfo Mendes de Souza, em 1958, nesta cidade de Alagoinhas uma escola primária que se denominava” Escola Divino Mestre”, a qual funcionava com regularidade à rua 14 de Janeiro n° 44 e, em 1965, necessitando fixar residência em Salvador passou a escola para a responsabilidade do Lar Espírita Mãe Helena que apenas transferiu de local, hoje funciona à rua Conselheiro Luiz viana n° 290, de propriedade do Lar.

Esta escola serve gratuitamente às crianças pobres do barrio e às do Lar sem nenhuma ajuda dos poderes públicos; e assim foi mantida até 1972, funcionando em dois turnos: matutino e vespertino, cujas professoras eram remuneradas pela própria Mãe Helena.

Em 1973 começa a contar com a ajuda da Prefeitura Municipal de Alagoinhas na gestão do Sr. Judélio Carmo que, formando um convênio, passou remunerar quatro pofessoras sendo uma delas Maria Lúcia Vieira de Santana, filha do Lar que atualmente submeteu-se ao vestibular na Universidade Federal, logrando êxito.Em substituição à esta, ficou a professora Kardecília Maria Silva, também filha do Lar.

Em 1966 é fundado em Alagoinhas uma Maternidade com capacidade de atender satisfatoriamente à população principalmente, depois de ter feito convênio com o I.N.P.S. EM consequência desse progresso a parteira Mãe Helena sentiu que o número de clientes diminuiu consideravemente.E, quando desgastadas as suas energias não sendo suficiente a verba que fazia cobrir as necessidades das suas trinta filhas, viu-se na iminência de ter que perde-las, só lhe restando dois caminhos:doa-las a casais ou devolvê-las ao desamparo.

Mãe Helena envolvida pelo tão nobre sentimento maternal, apela para o Lar Fabiano de Cristo, orgão da CAPEMI, que exigiu documentos que comprovassem a existência e funcionamento do Lar o  que foi atendido.

Um mês após recebe o Lar de Mãe Helena a visita do Diretor Presidente do Lar Fabiano de Cristo, Exmo.Sr. Cel. Jaime Rolemberg de Lima e sua equipe de trabalho. Incentivando o acolhimento de crianças dos dois sexos, foi-lhe dado uma ajuda mensal em gêneros alimentícios a qual mais tarde foi substituida por uma quota comprovada mensalmente pela apresentação de balancetes.

Em 1970 foram comemoradas as boldas de prata do Lar, contando com a presença das senhoras Germínia de Andrade Batista e Eduarda da Silva Novais, que há vinte e cinco anos atrás uniram-se a Mãe Helena para formar o Lar.

Ainda em 1970 o Lar Espírita Mãe Helena recebeu a visita dos Drs. Jobi da Silva Brasileiro e Raimundo Rodrigues dos Santos, funcionários do Lar Fabiano de Cristo, os quais prestaram os seus serviços as crianças comprovando que o aspecto pálido que algumas crianças apresentaram era prveniente do local em que viviam, sugerindo a mudança de residência para uma casa que tivesse área livre onde elas pudessem receber mais diretamente os raios solares. Sentindo a gravidade do problema, o Sr. Jaime Rolemberg de Lima autorizou a compra de uma casa em nome do Lar Fabiano de Cristo, para ode seria transferido o Lar de Mãe Helena, o que foi efetuado pelo Sr. Gerente da Caixa de Pecúlios dos Militares Beneficientes- Agência Salvador- CAPEMI-Sr. Augusto Santana Soares,  em  Janeiro do ano seguinte.

Com a transferência do Lar Espírita Mãe Helena para casa de propriedade do Lar Fabiano de Cristo, situada na rua Conselheiro luiz Viana n° 431, em Alagoinhas-Bahia, tornou-se mais eficiente a assistência prestada por aquela Instituição que se unira ao Lar Espírita Mãe Helena, com o tão abençoado objetivo de proteger e amparar a infância.

Empenhada sempre na espinhosa tarefa a que se prôpos, Helena Vieira Costa, com 57 anos de idade e 31 anos de luta pela proteção dos filhos alheios, filhos do seu coração, teve e ainda tem uma vida excessivamente trabalhosa resultando disto ter uma saúde bastante debilitada, sendo portador de doença cardíaca, artrite reumática e, recentemente, maltratada pela diabete e suas consequências.

O Lar Fabiano de Cristo premiou o Lar uma auxiliar de nome Letícia Maria Vasconcelos, no período de agosto de 1974 a 30 de novembro de 1975.

No decorrer destes trinta e um anos, graças à proteção de Jesus e a vigilência da dedicada mãezinha, no Lar foram registrados apenas três óbitos.

Somando na presente data o número de partos feitos em 10.042, acolhe maternalmente cinquenta crianças, sendo quatorze do sexo masculino e trinta e seis do sexo feminino.

Dedica Helena o resto de sua vida que lhe fora concedida, nesta encarnação, às crianças, confiando sempre na proteção de Jesus e no amparo do Lar Fabiano de Cristo.

Alagoinhas, 10 de Janeiro de 1976.

Fundadores do Lar Espírita Mãe Helena:

Oscar Vitor de Deus

Bernadete de Araújo

Alice Maria da Silva Conceição

Maria de Lourdes Mourão Lopes

Germínia de Andrade Batista

Jecelino José Nogueira- Arôgo de Eduarda da Silva Moraes por se encontrar cega

Helena Vieira Costa-Provedora.

Alagoinhas-02 de Maio de 1976